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Quando estudava ciências políticas, primeiro na Universidade de
Tóquio e depois a de Columbia, nos EUA, Michio Kushi alimentava o sonho
de uma federação internacional para garantir a paz no mundo e o fim da
corrida ao armamento. Mas a resposta para os conflitos internacionais
que marcaram o crescimento deste japonês de 77 anos foi encontrada nos
alimentos. Uma convicção que o leva a percorrer o mundo há 40 anos e que
o trouxe este fim-de-semana a Lisboa, a convite do Instituto
Macrobiótico de Portugal, para falar de como a comida macrobiótica pode
tornar os homens mais saudáveis e pacíficos.
Michio Kushi é hoje o nome máximo para os seguidores da filosofia
macrobiótica, já escreveu dezenas de livros e acredita que o combate a
doenças como o cancro pode ser ganho com uma alimentação equilibrada.
Isto porque, defende, o homem é aquilo que come.
«Procurei respostas para a guerra em filósofos como Platão ou Thomas
Mann. Mas quando tinha 25 anos, cheguei à conclusão de que, mesmo se um
governo mundial fosse criado, não haveria maneira de assegurar a
harmonia dos povos se os próprios homens não se tornassem pacíficos»,
explica. Os alimentos foram a resposta encontrada. «Passei muito tempo
na Times Avenue, em Nova Iorque, a observar as pessoas. E todas eram
diferentes. Então percebi que, se há alguns factores que não podemos
controlar, como a radiação solar ou o ar que respiramos, podemos
controlar a 100 por cento aquilo que comemos», recorda.
Mas, para Michio Kushi a comida é mais do que as substâncias que a
compõem. «Tal como quando bebemos álcool o nosso comportamento muda, o
mesmo se passa com tudo o resto que ingerimos, da carne ao açúcar». Para
o japonês, cada alimento tem nutrientes mas também vibrações que se
reflectem em cada pessoa e mudam o seu comportamento: podem torná-la
mais activa, agressiva ou calma. Na visão macrobiótica, o segredo está
na capacidade de equilibrar o Yin e o Yang ? as duas formas antagónicas
que regem o mundo na filosofia oriental. O que depende não só dos
alimentos mas também da forma de os cozinhar.
A base alimentar, diz, está nos cereais integrais e nos vegetais.
Depois, há variações que mudam consoante o clima e as estações do ano.
«Na Índia, por exemplo, as especiarias são importantes porque tornam as
pessoas mais activas», sublinha.
Doenças como as alergias, o cancro ou mesmo a pneumonia atípica podem
ser evitadas com uma a1imentação saudável, acredita Michio Kushi, para
quem o mundo se alimenta cada vez pior. Sobre a comida portuguesa,
defende que «é melhor do que outras cozinhas ocidentais», mas acrescenta
que se abusa do peixe, o que torna as pessoas «muito oscilantes».
Uma ideia que é reforçada pelo especialista português em macrobiótica
Francisco Varatojo. «Há uns anos, a ciência moderna não fazia qualquer
ligação entre a comida e o cancro. Hoje considera-se que pelo menos um
terço dos casos são provocados pela alimentação, como o do cólon, do
estômago ou da mama». Isto porque, defende, «se não comermos de acordo
com a nossa estrutura biológica criamos formas estranhas de lidar com
esses excesso. Os tumores são um exemplo disso». 
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