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Eram muito novos a Eugénia o o Francisco, pouco mais de vinte anos,
quando o primeiro filho se anunciou. Mas já eram macrobióticos por
convicção e praticantes de um estilo de vida o mais saudável e natural
que lhes era possível.
Especialista em alimentação macrobiótica, o Francisco considerava que
não fazia sentido nenhum ir para o hospital para ter um bebé. Já a
Eugénia nunca tinha pensado muito nisso, mas ter o bebé em casa surgiu
como a solução mais natural: «Foi uma opção muito fácil de tomar»,
lembra. Conheciam um casal que tinha tido o bebé em casa o foi assim que
chegaram à parteira dona Glória. «Depois de conversar com ela, pensei:
?É isto mesmo que eu quero?. Fiz análises e fui acompanhada por ela até
ao dia do parto».
Quando esse dia chegou, o Francisco ficou muito nervoso, mas acha que
se estivesse no hospital estaria, seguramente, ainda mais nervoso. O
parto aconteceu, por questões práticas, em casa da dona Glória. Demorou
oito horas e tudo correu bem.
A segunda filha do Francisco e da Eugénia também nasceu em casa, com
a ajuda da dona Glória e com muito menos nervosismo. O terceiro parto
foi bastante mais stressante, não por razões ligadas ao próprio parto,
mas porque o carro estava avariado, moravam em Sintra e tinham de vir
para Lisboa. Ainda por cima não conseguiam localizar a dona Glória. A
terceira filha acabou por nascer numa ambulância, entre o Príncipe Real
e as Amoreiras. «Assim que me deitei na maca da ambulância, senti que
ela ia nascer, foi incontrolável. Nasceu sem a ajuda de ninguém e estava
óptima», recorda Eugénia. O quarto e último filho a nascer foi o único
que nasceu verdadeiramente em sua casa. Mais uma vez, os pais contaram
com a ajuda da dona Glória e tudo correu da melhor maneira. «Nunca fui
cosida, nunca tive uma hemorragia, o pós-parto foi sempre muito fácil,
não podia ter sido melhor», conta Eugénia.
Francisco e Eugénia não consideram ter corrido mais riscos por tido
os seus filhos em casa. «Nos hospitais também há riscos», alerta
Francisco. «Nos EUA, as doenças relacionadas com o meio hospitalar
representam a terceira causa de morte. Além disso, o parto é um
acontecimento natural, não é uma doença.
Nos hospitais é acelerado, provocado, fazem-se intervenções
desnecessárias, demasiados medicamentos...».
Tal como todas as pessoas que optam pelo parto em casa, também o
Francisco e a Eugénia consideram importante que as pessoas se
responsabilizem pela sua saúde e procurem estar mais informadas para
elas próprias poderem tomar decisões conscientes e poderem exigir
melhores serviços. 
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