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Sente-se frequentemente irritado, tenso, com
incapacidade de concentração, sem razões fortes que o justifiquem?
Se sim, é possível que sofra de hipoglicemia (níveis baixos de açúcar
no sangue), um dos problemas mais comuns da sociedade actual e que quase
sempre escapa a um diagnóstico médico, sendo a maioria dos casos graves
de hipoglicemia remetidos para consultórios de psicoterapia ou
psiquiatria.
A lista de sintomas relacionados com este problema é bastante
extensa, mas os mais comuns são:
- Depressão.
- Irritabilidade.
- Incapacidade de concentração.
- Cansaço durante a tarde acompanhado de um grande desejo de
doces, ou estimulantes como café ou álcool.
- Frio nas extremidades.
- Dores de cabeça.
- Hipotensão.
- Alergias frequentes.
- Grande sensação de stress e incapacidade de descontrair.
- Insatisfação geral em relação à vida.
- Em casos mais sérios, comportamento agressivo e violento.
Uma amostra de 300 pacientes psiquiátricos descobriu que cerva de 40%
deles eram hipoglicémicos. Um outro estudo evidenciou uma percentagem de
70% de hipoglicemia crónica em esquizofrénicos com diagnóstico clínico.
Num grupo de 220 pacientes com neuroses e com ansiedade crónica e
depressão como queixas principais, 205 deles foram considerados
hipoglicémicos. Outro estudo com 700 pacientes neuróticos, deu conta que
90% deles sofria de hipoglicemia. Quando os níveis de glicose destes
pacientes foi tratado, a maioria dos problemas psiquiátricos melhorou em
10 dias em quase todas as pessoas.
Se sente com frequência mais do que 3 dos sintomas acima descritos,
então aconselho-o a alterar os seus hábitos alimentares o mais
rapidamente possível. Na minha experiência pessoal como consultor tenho
tido a oportunidade de lidar com inúmeras pessoas hipoglicémicas que
após melhorarem os seus hábitos alimentares sentem um grande alívio de
problemas que até então consideravam ser exclusivamente do foro
emocional.
O que é a Hipoglicemia?
Como o nome indica, a hipoglicemia está relacionada com níveis baixos
de açúcar no sangue; o nosso organismo, e muito em especial o cérebro e
o sistema nervoso, necessitam de um fluxo constante de açúcar (leia-se
hidratos de carbono) para funcionar adequadamente: quando os níveis são
estáveis, temos energia, sentimo-nos alerta e conseguimos pensar de uma
forma clara.
Quando pelo contrário, os níveis são erráticos o nosso comportamento
torna-se inconstante, variando entre picos de euforia e depressão ou
letargia.
Quantas vezes já lhe aconteceu sentir-se "em baixo", comer um
chocolate ou beber uma cerveja e subitamente o mundo ficar com cores
mais vivas, e aqueles problemas que pareciam não ter solução parecerem
mais fáceis de resolver? Neste caso, o chocolate ou a cerveja (que
podiam ser um bolo, um pudim, um sumo de laranja, um copo de vinho ou
qualquer outra forma de açúcar simples) ao subirem o nível de glicemia
fizeram com que o sistema nervoso tivesse combustível para funcionar. O
problema é que quando tentamos resolver a hipoglicemia ingerindo
açúcares simples, vamos agravando cada vez mais a situação pois este
tipo de açúcares faz com que o metabolismo de glicemia fique muito
instável, criando grandes altos e baixos. Essencialmente, o alívio que
se obtém com o chocolate não costuma durar mais do que alguns minutos,
para se cair outra vez no estado depressivo anterior.
Hidratos de carbono complexos e hidratos de carbono simples.
Como descrito anteriormente, o nosso organismo usa hidratos de
carbono (vulgo açúcares) como combustível por excelência. Existe no
entanto uma enorme diferença entre os diferentes tipos de hidratos de
carbono:
Alimentos como os cereais integrais, feijões, vegetais, possuem
hidratos de carbono complexos ou polisacarídeos. Os polisacarídeos
consistem de moléculas longas de açúcar que se desdobram lentamente no
organismo e que vão fornecendo energia de uma forma constante e
equilibrada. Uma alimentação baseada em cereais e vegetais cria um ritmo
estável e um bom aporte de açúcares ao cérebro e ao sistema nervoso.
O açúcar (branco ou escuro), mel, frutos, cereais e outros alimentos
refinados, possuem hidratos de carbono simples (mono ou disacarídeos).
Este tipo de açúcares contem moléculas pequenas que em vez de se
desdobrarem ao longo do processo digestivo fornecendo energia gradual,
são absorvidos directamente na boca ou no estômago, aumentando
subitamente a quantidade de açúcar no sangue. Quando isto acontece, o
pâncreas tem que segregar muito rapidamente insulina para que a glicose
seja absorvida nas células, e logo a seguir os níveis de açúcar descem
muito rapidamente, criando um ciclo vicioso, conhecido como o ciclo
vicioso da hipoglicemia.
Também, com a continuação do processo, o pâncreas acaba por ficar
cansado, podendo deixar de produzir insulina, surgindo então a diabetes
da qual a hipoglicemia é com alguma frequência precursora.
Causas da Hipoglicemia
Para além do consumo dos alimentos acima referidos, a ingestão de
gordura animal pesada, como ovos, queijo, carne, frango, marisco e
alguns tipos de peixe gordo contribuem também para este problema, pela
forma como os produtos animais sobrecarregam o pâncreas e prejudicam a
secreção equilibrada das hormonas insulina e glucagónio (anti-insulina);
o uso excessivo de produtos preparados no forno (bolachas, biscoitos,
pão) e a inexistência de vegetais levemente cozinhados na alimentação
diária são também causas a não descurar.
Terapia da Hipoglicemia
Tratar este problema é nalguns casos bastante difícil e num próximo
artigo descreverei preparações específicas para o mesmo.
No entanto, se sente que a sua vida pessoal está a ser afectada pelo
que até aqui foi enunciado, se sente uma necessidade premente de comer
doces ou beber álcool (o alcoolismo tem como uma das causas principais,
níveis baixos de açúcar), experimente fazer as seguintes alterações na
sua alimentação e estilo de vida:
- Coma todos os dias, a todas as refeições, cereais integrais e
vegetais: o uso de vegetais doces como a abóbora, cenoura, cebola,
couve, são particularmente benéficos.
- Substitua o açúcar simples por adoçantes processados
naturalmente (existe uma enorme variedade de adoçantes naturais,
disponíveis em casas da especialidade).
- Ingira refeições a horas regulares.
- Não coma 3 horas antes de dormir.
- Aprenda técnicas de descontracção.
- Evite o consumo de açúcar e sucedâneos do açúcar, cereais
refinados, ovos, queijo, carne, e peixe gordo ou marisco.
Se seguir este tipo de recomendações, provavelmente muitos dos
sintomas acima descritos melhorarão de forma substancial, contribuindo
para uma melhor qualidade de vida e prevenindo diferentes problemas no
futuro.
As crianças que ingerem uma grande quantidade de açúcar,
refrigerantes, chocolates, alimentos refinados e quimicalizados, estão
mais sujeitas ao desenvolvimento de hipoglicemia e aos sintomas a ela
relacionados. Neste caso, e para além de alguns dos sintomas já citados,
os mais comuns são:
- Hiperactividade.
- Dificuldades de aprendizagem.
- Comportamento instável e agressivo.
- Ansiedade e fobias.
"Durante um período experimental de vinte e
duas semanas, um grupo de dezasseis crianças com problemas
comportamentais e de aprendizagem foi submetido a uma alimentação
baseada em cereais integrais, hidratos de carbono complexos e alimentos
não processados; mostraram melhoras significativas no comportamento,
aprendizagem e inteligência quando comparadas com dezasseis grupos de
controle. Para além disso, os níveis elevados de ferro e cádmio, que têm
sido associados a problemas de aprendizagem, baixaram respectivamente 49
e 28%."

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