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No meu
último artigo sobre alimentação escrevi sobre a influência dos
alimentos e estilo de vida no Coração e Intestino Delgado - órgãos
classificados na Medicina Oriental como pertencendo à categoria do Fogo.
Neste artigo escreverei sobre a influência do Coração no nosso
comportamento, emoções e linguagem corporal.
É interessante notar que o coração é o único órgão do corpo que é
igual e vastissimamente mencionado quer por cientistas quer por poetas
ou romancistas. Para os cientistas e na realidade para todos nós, o
coração é o órgão principal, aquele que trabalhando incessantemente
bombeia os nossos 5 litros de sangue a todas as partes do corpo e nos
mantém vivos.
Para os poetas e artistas o coração é o local onde reside o amor, a
parte do nosso corpo que rejubila quando nos sentimos amados ou que
sentimos acabrunhado quando sofremos um qualquer desgosto. Em toda a
parte do mundo, com muito poucas excepções (existem algumas tribos que
dão ao fígado o papel que nós damos ao coração), o coração está ligado a
sensações de amor, alegria, paixão e é o órgão através do qual
comunicamos sensações calorosas e apaixonadas.
Dum ponto de vista físico, e esta é a forma como a ciência
essencialmente lida com este órgão, o coração é um músculo com funções
específicas, e não tem nada a ver com sensações de amor ou paixão.
Pessoalmente, penso que existe uma relação entre as nossas funções
orgânicas e a nossa vivência emocional e, no caso concreto do coração, o
quanto e como amamos tem uma influência directa neste órgão. Na
realidade a saúde cardíaca beneficiaria imenso, se soubéssemos lidar
melhor com e aprender a pôr de lado emoções como ódio, azedume ou
inveja. E, se cultivássemos conscientemente emoções como o amor ou a
compaixão universais.
Imagine que da próxima vez que vai ao seu cardiologista ele lhe dizem:
"Olhe, tem que amar mais, livre-se dessas emoções que lhe corroem a alma
e o coração ou a sua vida pode estar em perigo!". Apesar de este ser um
cenário algo difícil de imaginar, à medida que alguns ramos da ciência
se apercebem da maravilhosa interligação existente no nosso organismo, é
possível que num futuro próximo este discurso não seja tão descabido
assim.
Em medicina oriental, os atributos positivos do coração são também
empatia, calma e uma mente pacífica. Se os órgãos Fogo funcionarem bem,
temos a capacidade de vibrar no mesmo diapasão das outras pessoas, somos
capazes de nos colocar na pele dos outros, uma capacidade muito prezada
na psicoterapia moderna e à qual se dá o nome de empatia.
Quando, pelo contrário, começam a surgir distúrbios nestes órgãos o
comportamento tende a ser mais superficial, errático e hiperactivo,
conduzindo num extremo a condutas maníacas e excessivamente apaixonadas.
Nos distúrbios em Fogo a linguagem corporal (e verbal) fica muito
mais exagerada, em particular com um movimento acentuado dos membros
superiores e das mãos, que ao mexerem constantemente chamam a atenção
dos interlocutores mas os mantêm à distância.
A voz é mais alta, aguda e rápida e existe uma tendência para estar
sempre a falar ou a dizer piadas, mesmo quando este comportamento não é
apropriado à situação específica em que as pessoas se encontram.
A cor da pele tende a ser mais avermelhada (a cor vermelha mostra
problemas cardíacos), particularmente a ponta do nariz que costuma
também ser mais inchada.
O corpo tem mais expressão na zona peitoral e a postura tende a ser
menos centrada e mais extravagante, regra geral com uma forma de vestir
e uma imagem mais excêntrica ou mais original.
Existe a tendência para conseguir funcionar melhor quando em presença
de "público" e é-se estimulado a actuar essencialmente por pressão
externa e não tanto por resolução interna.
O paradoxo existente nesta fase mais dramática de energia, é que as
pessoas com desequilíbrios em Fogo são extremamente animadas quando em
presença de uma assistência e, quando sós, tendem a afundar-se em
sentimentos de depressão e autocomiseração.
Os meridianos de acupunctura do Coração e Intestino delgado circulam
nos braços e dedo mínimo da mão, e com problemas cardíacos há
frequentemente uma certa sensação de fraqueza nos braços e adormecimento
do dedo mínimo.
Os traços de comportamento referidos neste artigo são, regra geral e
de acordo com a medicina oriental, o preâmbulo de problemas
cardiovasculares mais ou menos sérios, e frequentemente pessoas com
problemas cardíacos aparentam (segundo os nossos padrões de saúde) um ar
jocoso, robusto e saudável.
Fisiologicamente, o tipo de comportamento e linguagem corporal
descritas podem ter a ver com o ritmo cardíaco propriamente dito, que
quando estável nos dá um comportamento mais ritmado e calmo e que quando
instável nos faz comportar de forma mais errática e imprevisível.
Como conclusão, se deseja ter um bom coração aprenda a amar sem
reservas e cultive uma mente calma e serena. Mesmo que não acredite que
estas capacidades tenham alguma coisa a ver com a saúde cardíaca, estas
recomendações não o vão com certeza afectar e provavelmente melhorará
bastante a relação que tem consigo mesmo e com os outros.

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