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« 1ª Parte
George Ohsawa morreu no Japão em 1966, após uma vida vivida
com uma determinação e coragem extraordinárias.
Depois da sua morte, o movimento macrobiótico continuou a expandir-se
um pouco por todo o Mundo, liderado pelos seus discípulos mais directos:
Michio e Aveline Kushi, Herman e Cornelia
Aihara, Shizuko Yamamoto e Noboru Muramoto nos Estados
Unidos, Françoise Riviére e René Levy em França,
Clim Yoshimi na Bélgica, Eb Nakamura e Augustine Kawano
na Alemanha, Ilse Clausnitzer na Suécia, Tomio e
Bernadette Kikuchi no Brasil, Hideo Ohmori, Okada,
Lima Ohsawa, no Japão, citando apenas os mais importantes.
Em Portugal, o movimento macrobiótico só começa por volta de 1975 por
intermédio de José Galamba, Abel Trancoso e outros, e tanto quanto me é
possível lembrar a primeira palestra sobre macrobiótica em Lisboa foi
proferida pelo médico espanhol Dr.Vicente Ser, também ele um discípulo
de George Ohsawa.
De entre todos os discípulos de Ohsawa, Michio Kushi
foi aquele que indubitavelmente mais difundiu o movimento em todo o
Mundo, pelo que começarei este artigo, relatando, seguramente de forma
incompleta, o seu trajecto e contributo para o movimento macrobiótico e
para a sociedade em geral.
Michio Kushi nasceu no Japão em 1926 e movido por o sonho de
um Mundo de Paz, particularmente após testemunhar a destruição causada
pela 2ª Guerra Mundial, decidiu formar-se em Direito Internacional com o
intuito de ajudar a estabelecer as bases para a criação de um governo
mundial, movimento que surgiu após a guerra e que tinha proponentes como
Albert Einstein, Thomas Mann, Upton Sinclair, entre
muitos outros.
Kushi conheceu Ohsawa em Tóquio em 1948 e desde o
primeiro encontro que surgiu uma enorme empatia entre os dois. Kushi
tinha apenas 22 anos, não compreendeu muito bem as ideias de Ohsawa
mas houve algo na sua personalidade que o atraiu enormemente.
Em 1949, Michio Kushi parte para S. Francisco nos Estados
Unidos, com o apoio de Ohsawa, Norman Cousins (um
diplomata americano), Professor Shigeru Nanbara e do
Reverendo Toyohiko Kagawa, com o intuito de se doutorar em
Direito Internacional e com a intenção vaga de difundir a Macrobiótica e
os ensinamentos de Ohsawa.
Quando nos Estados Unidos, termina os seus estudos e começa a
sentir-se frustrado com a incapacidade da ciência política para criar um
mundo de paz e pouco a pouco os ensinamentos de Ohsawa começam a
fazer sentido – para Ohsawa a paz podia ser criada através da
aplicação do monismo dialéctico à alimentação.
Em 1951, Aveline Kushi vai para os Estados Unidos e casam-se,
começando os dois a trabalhar em prol do desenvolvimento da
Macrobiótica.
Em 1952, Herman Aihara parte também do Japão para a América, e
os Kushis começam a trabalhar com os Aihara em Nova
Iorque. Herman casa com Cornelia em 1955 e os dois casais
passam a ser os principais dinamizadores na Costa Leste dos Estados
Unidos.
Em 1961, os Aihara decidem mudar-se para a Califórnia onde
começam um centro macrobiótico, e em 1964 os Kushi, cada vez mais
insatisfeitos com a cidade de Nova Iorque decidem mudar-se para Boston,
Massachussets.
Em Boston, os Kushi dedicam-se exclusivamente às actividades
macrobióticas e fundam a East West Foundation , o restaurante
Sanae , a primeira empresa de produtos naturais na América,
Erewhon, a revista East West Journal e a distribuidora de
livros Tao Books.
Os finais dos anos 60 e o inicio dos anos 70 são um período de enorme
crescimento para o movimento macrobiótico e de produtos naturais nos
Estados Unidos e centenas de estudantes vindos de toda a América
juntam-se aos Kushi, criando as bases para uma autêntica
revolução no modo de vida americano.
Em 1977 é fundado o Instituto Kushi de Boston, um ano depois do
Instituto Kushi de Londres (iniciado por Bill Tara), que começa a
atrair também estudantes estrangeiros, entre os quais eu, onde cheguei
em Fevereiro de 1979.
As principal diferença entre Kushi e Ohsawa é que
Kushi tentou traduzir para a cultura ocidental a, às vezes
intraduzível, cultura oriental.
Também, Kushi influenciou decisivamente os muitos estudos
posteriormente realizados sobre alimentação e saúde e contribuiu
enormemente para a difusão de produtos naturais em todos os Estados
Unidos e Europa.
Como reconhecimento do seu trabalho em prol da saúde e paz, o governo
americano tem uma exposição sua no Smithsonian Institute em
Washington e Kushi foi também convidado por Bill Clinton
para criar directrizes alimentares para o povo americano.
Muito mais poderia escrever neste artigo, mas por limitações de
espaço terei que terminar aqui. Continuarei a escrever sobre este tema
nos próximos números.

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