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A base da nossa alimentação diária deve consistir de hidratos de
carbono mas nem todos os hidratos de carbono são iguais – batatas, arroz
branco, arroz integral ou açúcar não têm de todo o mesmo efeito.
Ao longo dos anos a ciência nutricional tem vindo a
alterar substancial e quase radicalmente as suas recomendações: no
início do estudo da nutrição os alimentos proteicos foram eleitos como
?a nata? dos nutrientes, uma vez que a proteína é utilizada para formar
tecido corporal.
Os diferentes estudos epidemiológicos efectuados nas últimas décadas
mostraram no entanto que um consumo elevado de proteína pode contribuir
para imensos problemas e actualmente recomenda-se que a base da
alimentação consista em hidratos de carbono.
A famosa roda dos alimentos utilizada como modelo nutricional
adequado está em completo desuso e o modelo nutricional mais moderno,
aprovado em 1992 pelo Ministério da Agricultura Americano é a Pirâmide
Alimentar que tem na sua base cereais como alimento principal. É
interessante notar que a Roda dos Alimentos foi financiada pela
indústria do gado bovino e dos produtos lácteos e que a Pirâmide
Alimentar demorou imensos anos a ser aprovada pelo Governo Americano
devido a um ?lobbying? intenso da indústria alimentar e farmacêutica.
Mas, se a base da nossa alimentação diária deve consistir de hidratos
de carbono, nem todos os hidratos de carbono são iguais – batatas, arroz
branco, arroz integral ou açúcar não têm de todo o mesmo efeito, apesar
de todos estes alimentos serem tecnicamente hidratos de carbono ou
açúcares.
Os hidratos de carbono, ou glúcidos ou açúcares constituem a nossa
principal fonte de energia, mas para além de servirem para ?queimar?
(como a lenha numa lareira) têm outras funções importantes:
- Os hidratos de carbono são o melhor combustível para as células,
proporcionam a energia química necessária para as funções corporais,
exercício muscular, manutenção da temperatura, digestão e
assimilação de nutrientes, entre outras.
- Fazem parte dos ácidos nucleicos – ADN e ARN – que servem para
conservar e transmitir a informação genética e das membranas
celulares.
Dum ponto de vista estrutural quando falamos de hidratos de carbono
podemos estar a referir tipos diferentes de açúcares:
Monosacáridos – frutose (presente no mel e nas frutas),
glicose (fruta, mel, alguns vegetais) e galactose.
Disacáridos – Lactose (leite), sacarose (açúcar), maltose
(obtida por hidrólise dos amidos).
Polisacáridos – Glicogénio, amido, dextrina e celulose.
Generalizando, chamam-se aos monosacáridos e aos disacáridos açúcares
simples (apenas uma ou duas moléculas) e aos polisacáridos, açúcares
complexos (muitas moléculas).
Existe uma enorme diferença entre ingerirmos açúcares simples ou
complexos e devemos comer maioritariamente açúcares complexos.
Apesar de no final do processo digestivo todos os hidratos de carbono
se converterem em açúcares simples, quando comemos hidratos de carbono
complexos (presentes nos cereais, vegetais, leguminosas) o desdobramento
dos açúcares é mais lento, o que nos vai dando energia gradual e uma
maior estabilidade emocional.
Quando comemos maioritariamente açúcares simples (presentes no
açúcar, mel, frutos, etc.) obtemos energia mais rapidamente, mas assim
que o pâncreas detecta níveis mais altos de açúcar no sangue segrega
insulina e os níveis baixam muito rapidamente podendo criar uma
hipoglicemia reactiva; a ingestão excessiva de açúcares simples cria
também um comportamento emocional muito mais instável uma vez que as
nossas emoções estão intimamente ligadas com as flutuações de açúcar no
sangue.
Para além disso, se comemos os hidratos de carbono com fibra (como
por exemplo nos cereais integrais e nos vegetais), a assimilação é ainda
mais lenta, criando um fornecimento constante de açúcar na corrente
sanguínea.
Assim, podemos também classificar os hidratos de carbono segundo a
velocidade com que são absorvidos nos intestinos:
De absorção muito rápida: Sumos de frutas, mel, açúcar,
melaço?
De absorção rápida: Fruta (diferente de sumos de fruta
porque a fruta tem fibra associada), polisacáridos refinados (pão
branco, arroz branco, farinhas refinadas).
De absorção lenta: cereais integrais e derivados, vegetais
e leguminosas.
Uma vez que referi o efeito da fibra na assimilação dos açúcares,
gostaria também de mencionar que a fibra presente nos alimentos ajuda a
baixar o colesterol, regula os níveis de glicose (açúcar) no sangue, dá
consistência às fezes. Devemos comer a fibra no seu estado natural (em
conjunto com os alimentos que a contêm) e não duma forma isolada (sob a
forma de farelos ou outros) porque a fibra em excesso pode prejudicar a
absorção de minerais e vitaminas e provocar diarreia, dores intestinais
ou flatulência em pessoas com sistemas digestivos mais sensíveis.
Como conclusão:
- A maioria da nossa alimentação deve consistir de hidratos de
carbono.
- Devemos comer uma percentagem maior de hidratos de carbono
complexos do que de hidratos de carbono simples. (é preferível
evitar completamente o açúcar e adoçantes sintéticos). Os alimentos
que têm hidratos de carbono complexos são os cereais, as leguminosas
e os vegetais; as batatas sobem os níveis de açúcar muito depressa e
não são de todo a melhor forma de ingerirmos açúcares.
- É melhor comermos os cereais na sua forma integral ou
semi-integral do que na sua forma refinada.
| Maltose |
138 |
|
Massas |
55 |
| Glicose |
100 |
|
Arroz integral |
50 |
| Puré de batatas |
90 |
|
Flocos de aveia |
40 |
| Sacarose |
75 |
|
Pão integral |
35 |
| Pão branco |
70 |
|
Produtos lácteos |
35 |
| Batatas cozidas |
70 |
|
Lentilhas |
30 |
| Bolachas |
70 |
|
Grão de bico |
30 |
| Milho |
70 |
|
Massas integrais |
30 |
| Arroz branco |
70 |
|
Fruta |
20 |
| Beterraba |
65 |
|
Vegetais |
15 |
| Banana |
60 |
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Índice glicémico de diferentes alimentos – o índice glicémico
indica a rapidez com que um hidrato de carbono sobe os níveis de glicose
(açúcar) no sangue; quanto mais processado, refinado é um alimento mais
alto é o índice glicémico; neste caso é mais fácil ter hipoglicemias
reactivas ou no caso dos diabéticos ter hiperglicemias (níveis de açúcar
elevados).
(tabela extraída do livro "El Equilibrio a través de la
Alimentacion" de Olga Cuevas Fernández

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