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Na época actual, a população adquire cada vez mais a
consciência de que uma boa alimentação é vital para a manutenção da
saúde e bem estar. Cada vez mais pessoas reduzem o consumo de carne,
açúcar, "fast food" e procuram nas lojas e mercados de produtos
naturais alimentos integrais e biológicos.
No entanto, devido a toda a publicidade veiculada na comunicação
social e em grandes cartazes espalhados nas ruas, o leite e os
lacticínios continuam a ser considerados alimentos saudáveis,
essenciais, quase sacrossantos: necessitamos de beber leite todos os
dias para obter o cálcio necessário à formação e manutenção da massa
óssea e assim evitar a osteoporose.
Escrever um artigo refutando tais afirmações e mencionado que o leite
e os produtos lácteos não são assim tão saudáveis pode parecer uma total
heresia, mesmo um perigo para a saúde pública. No entanto, alguns dos
mais conceituados nutricionistas e médicos mundiais afirmam
categoricamente que o consumo de produtos lácteos não evita a
osteoporose e que podemos viver com melhor saúde quando nos abstemos de
os ingerir.
Na realidade, o número de cientistas que acha que o leite e seus
derivados não são bons para a saúde cresce todos os dias: Frank Oski
(médico, director do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina
John Hopkins e Médico-Chefe do John Hopkins Children's Center),
Walter Willet (médico, presidente do Departamento de Nutrição da
Harvard Public School e Professor de Medicina da Faculdade de
Medicina de Harvard), Lawrence Kushi (nutricionista, responsável por
inúmeros estudos epidemiológicos e professor de Nutrição na Faculdade de
Columbia de Nova Iorque), Colin Campbell (médico, Professor na Faculdade
de Medicina de Cornell e responsável pelo maior estudo de nutrição até
hoje realizado, o China Health Project), o falecido Benjamin Spock
(médico), Neal Barnard (médico), John McDougall (médico) e muitos outros
nomes conhecidos na comunidade científica internacional têm escrito e
realizado alocuções públicas em que condenam veemente o uso dos produtos
lácteos, afirmando que toda a publicidade feita aos mesmos não passa de
uma fraude científica encabeçada por empresas comerciais.
Citando Walter Willet no recente livro publicado pela Escola Médica
de Harvard, "Eat, Drink and Be Healthy": "? os produtos lácteos não
deviam ocupar o lugar proeminente que ocupam na Pirâmide Alimentar do
Ministério da Agricultura Americano, nem deviam ser o cerne da
estratégia nacional para prevenir a osteoporose. Em vez disso, os factos
mostram-nos que o cálcio alimentar deve ser oriundo de uma variedade de
fontes?", ou "?mas o leite dá-nos mais do que apenas cálcio e alguns dos
seus componentes - como calorias extra, gordura saturada, e açúcar
conhecido como galactose - não são necessariamente bons para si. E mais,
cerca de 50 milhões de adultos nos Estados Unidos não conseguem digerir
completamente o açúcar conhecido como lactose. Como não o consegue fazer
a maioria da população mundial".
Sei que o que está a ler lhe pode parecer chocante, mas considere os
seguintes factos:
Países do Mundo com maior consumo de lacticínios per capita:
Finlândia, Suécia, Estados Unidos da América, Inglaterra.
Países do Mundo com maiores índices de osteoporose per capita:
Finlândia, Suécia, Estados Unidos da América, Inglaterra.
Ingestão de cálcio na China rural: metade da ingestão da
população americana.
Fracturas ósseas na China Rural: 5 vezes menos do que na
população americana.
O que os diferentes estudos científicos apontam, praticamente sem
excepção, é que absorção de cálcio depende de muitos mais factores do
que a simples ingestão de lacticínios; os factores mais importantes
parecem ser:
O tipo de alimentação que se tem - Uma alimentação com
alto teor de proteína de origem animal como é a alimentação moderna,
faz com que o organismo excrete muito mais cálcio; quanto mais
proteína animal comemos, mais cálcio perdemos.
O grau de actividade física - A actividade física é
essencial para a fixação de cálcio nos ossos; um pequeno passeio
diário de meia hora pode operar maravilhas no que toca à prevenção
da osteoporose.
Produção de hormonas reprodutoras como estrogéneos e
testosterona - Redução na produção destas hormonas (estrogéneos
nas mulheres, testosterona nos homens) torna difícil produzir e
recriar massa óssea.
Vitaminas D e K - Estas vitaminas desempenham um papel
importante na absorção e fixação de cálcio.
Apesar de a osteoporose não ter que ver apenas com o consumo de
cálcio este é no entanto necessário; contudo, os lacticínios não são
de forma alguma os únicos detentores deste mineral. Os vegetais
verdes de rama fornecem a mesma quantidade de cálcio do que o leite,
assim como por exemplo as oleaginosas.
As algas contêm uma quantidade muito superior de cálcio, algumas como
a Hiziki, 14 vezes mais de cálcio por 100 gramas.
Em debates ou conferências em que menciono a quantidade de cálcio
doutros alimentos é-me geralmente respondido que é verdade que outros
alimentos contêm a mesma ou uma maior quantidade de cálcio, mas que este
não é bem absorvido no sistema digestivo, não é "bio-disponível."
Os factos, parecem contudo ser diferentes. Segundo o "American
Journal of Clinical Nutrition" a absorção de cálcio de diferentes
alimentos é, por exemplo, a seguinte:
Couve de Bruxelas - 63.8%
Brócolos - 52.6%
Rama de nabo - 51.6%
Couve - 50%
Leite de vaca - 32%
Portanto, não é apenas possível obter cálcio a partir de muitos
outros alimentos, como é tão bem ou melhor assimilado que no leite de
vaca.
Gostaria de frisar que não sou contra o consumo de lacticínios,
apesar de achar que é perfeitamente dispensável, se assim se desejar;
publicitar o seu uso como sendo absolutamente essencial para a saúde,
nomeadamente para a osteoporose é, no mínimo, revelador de falta de
informação e parece-me também ser pouco ético. Até hoje, ainda não vi
qualquer estudo onde tal conclusão fosse evidente e inequívoca.
Uma vez que o tema é controverso e complexo, voltarei a ele no meu
próximo artigo sobre alimentação.

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