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Os temperos e os condimentos são ingredientes
essenciais numa alimentação saudável e equilibrada: realçam o sabor dos
alimentos, ajudam na digestão, melhoram o aspecto estético da comida e,
para além disso, muitos deles têm qualidades terapêuticas notáveis.
Neste e no
próximo artigo apresentarei alguns temperos e condimentos
relativamente pouco conhecidos do público em geral, mas que no entanto
pelas suas qualidades nutricionais são uma excelente alternativa à
panóplia de molhos e condimentos modernos repletos de gordura, produtos
químicos e açúcar, e que contribuem duma forma séria para muitos dos
problemas de saúde actuais.
Sal Marinho Integral
O sal é essencial à vida e todos os povos lhe deram uma enorme
importância, reflectida por exemplo na nossa linguagem na palavra
salário, oriunda da palavra latina salarium, o pagamento realizado aos
soldados romanos para comprarem sal.
Na Idade Média o estatuto social de um indivíduo era medido pela
quantidade de sal que se colocava na mesa quando havia hóspedes a comer
em casa e as grandes correntes humanas seguiam as estradas que
convergiam para as localidades onde se comercializava o sal.
Apesar de o sal ser essencial para uma boa saúde, na alimentação
moderna utiliza-se, regra geral, uma enorme quantidade deste "alimento"
e , pior ainda, o sal moderno é sal refinado, 99,9% cloreto de sódio ao
qual muitas vezes é adicionado iodo e dextrose (açúcar). O sal refinado
provoca muito mais sede e pode afectar o funcionamento renal.
Em contrapartida, o sal marinho integral, à venda nas lojas de
produtos naturais, preserva muitos dos minerais e oligoelementos
inexistentes no sal refinado e tem um sabor menos salgado e ligeiramente
adocicado.
No sal marinho integral encontramos uma quantidade aceitável de
magnésio, flúor, brómio, cloreto de cálcio, e de elementos traço e
consequentemente numa alimentação saudável uma das primeiras alterações
a fazer é substituir o sal refinado pelo sal integral.
O sal marinho integral é essencial para a criação de um bom sangue,
linfa e fluidos corporais assim como para os sistemas digestivo e
nervoso. O sal (se não for consumido em excesso) beneficia também os
rins, bexiga, coração e intestino delgado.
O sal deve ser utilizado na preparação dos alimentos e não à mesa, a
não ser muito excepcionalmente. O hábito português de salpicar a comida
com sal (mesmo que seja de boa qualidade) é prejudicial para a saúde,
pelo que deve ser o mais possível evitado.
Quando comprar sal integral, certifique-se que está a adquirir sal
integral branco e não cinzento; o sal marinho integral de cor cinzenta
tem muito mais magnésio do que o branco e pode afectar os rins e as
articulações.
Molho de Soja Natural Shoyu
Apesar de relativamente pouco conhecido em Portugal, o molho de soja
é um tempero básico em todo o Oriente e na culinária natural e pode ser
usado em sopas, massas, vegetais, feijões, algas. O seu sabor subtil
combina bem com sabores doces, picantes ou ácidos.
O Shoyu é produzido a partir do feijão soja, trigo e sal marinho que
são fermentados e envelhecidos em barricas de madeira. O Shoyu comercial
é de uma qualidade muito inferior porque é envelhecido artificialmente e
produzido a partir de ingredientes de qualidade inferior.
O molho de soja Shoyu deve ser utilizado na culinária, e só
excepcionalmente à mesa. Ajuda a digerir os cereais integrais e os
vegetais; tem uma enorme quantidade de proteína, minerais e vitaminas do
grupo B e é frequentemente utilizado em remédios caseiros (sobre os
quais escreverei brevemente um artigo) como Tamari-Bancha (chá três anos
com molho de soja) que alivia a fadiga e neutraliza uma condição
demasiado ácida.
Pasta de Soja Miso
O Miso é utilizado no Oriente há séculos e os japoneses dizem que
este alimento foi um presente dos deuses para a humanidade; o Miso é um
puré com um sabor salgado e levemente doce, produzido a partir do feijão
soja e sal fermentados com cevada ou arroz (as variedades mais
conhecidas); é principalmente utilizado na preparação de sopa, a famosa
sopa de Miso, mas pode também ser usado na preparação de pratos à base
de vegetais, molhos, pastas e pickles.
As principais variedades de Miso incluem o Mugi Miso (Miso de
cevada), Hatcho Miso (Miso de soja) e o Genmai Miso (Miso de arroz
integral); no dia a dia, dá-se geralmente preferência ao Miso de cevada,
que tem um sabor mais equilibrado. Existem também Misos doces
especialmente utilizados em molhos e pratos especiais e "Miso
instantâneo" para viagens.
O Miso contem enzimas que melhoram a digestão e fortalecem a
qualidade de sangue; tem um elevado teor em proteína, vitaminas e
minerais; segundo muitos estudos realizados o Miso ajuda a prevenir e a
tratar o cancro da mama, doenças cardiovasculares e doenças provocadas
por radiação.
Deve ter em atenção que os alimentos apresentados neste artigo são
condimentos e consequentemente utilizam-se em quantidades moderadas,
para temperar a comida.
No
próximo artigo
continuarei a escrever sobre condimentos e temperos.

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