|
”Nenhuma actividade humana, nem mesmo a medicina, tem tanta
importância para a saúde como a agricultura.“
Prof. Pierre Delbert
(Academia de Medicina, França)
Numa época em que a maioria das pessoas se encontra
quase completamente desligada da terra e em que os alimentos nos chegam
à mão processados e acondicionados, esquecemo-nos do quão vital é a
agricultura para a nossa sobrevivência neste planeta.
Na realidade, dependemos totalmente da actividade agrícola para a
nossa subsistência e o tipo de agricultura praticado influencia
decisivamente a saúde humana, a saúde dos solos e todo o ecossistema.
A agricultura química moderna nasceu há mais de um século quando
Justus von Leibig, um professor de química alemão, queimou plantas para
analisar o resíduo das cinzas. Após a 1ª Grande Guerra as empresas que
produziam explosivos e material bélico foram transformadas em fábricas
produtoras de adubos agrícolas e ainda hoje, muitos dos produtos
químicos utilizados na agricultura foram usados em campos de
concentração na 2ª Guerra Mundial ou na Guerra do Vietname.
Como reacção a uma prática agrícola altamente industrializada e
quimicalizada, surge nos Anos 40 o movimento da Agricultura Biológica
(ou Agricultura Orgânica) que pretende promover técnicas de produção
mais ecológicas e criar alimentos mais saudáveis para a Humanidade.
Os alimentos oriundos de uma agricultura biológica, cultivados sem
adubos fosfatados ou pesticidas têm vantagens notórias, nomeadamente:
-
Têm um valor nutricional superior:
o teor em minerais, vitaminas e antioxidantes é mais elevado do
que nos alimentos produzidos com uma agricultura convencional.
-
Não contribuem para a contaminação
dos solos, águas ou atmosfera.
-
Têm um sabor mais rico, devido ao
menor teor de água.
-
São isentos de herbicidas,
fungicidas ou insecticidas, que muitos estudos consideram estar
ligados a muitas das doenças modernas como cancro, alergias ou
infertilidade.
Em Portugal, começam a existir cada vez mais produtos biológicos à
venda: cereais, feijões, vegetais, etc. e, apesar de ainda serem um
pouco mais caros são, na minha opinião, uma opção que devemos fazer,
quer em termos de saúde pessoal, quer em termos de saúde ambiental.
Ao apoiarmos o cultivo de alimentos de origem biológica, contribuímos
enormemente para a despoluição dos solos e ambiente, podemos evitar a
erosão dos solos e a desertificação e melhoramos a nossa saúde.
Para mais informações ou livros sobre agricultura biológica e
alimentos biológicos, pode contactar a AGROBIO - Associação Portuguesa
de Agricultura Biológica
Calçada da Tapada, 39, r/c Dto.
1300-545 Lisboa
Tel.: 213 641 354
Fax: 213 623 585
E-mail: agrobio@agrobio.pt
Muitas das carências nutricionais modernas são provavelmente devidas
à fraca qualidade dos alimentos actuais. Imensos estudos apontam para um
decréscimo substancial de nutrientes que pode ir até 90% nalguns
minerais como ferro, quando se passou de uma agricultura biológica para
a agricultura moderna.
Em 1963, o Departamento de Agricultura Americano, publicou o livro ?Composition
of Foods Handbook? onde se podem verificar as seguintes alterações no
mineral ferro entre 1948 e 1963 (antes e depois de os fertilizantes e
pesticidas químicos começarem a ser usados em grande escala)
Conteúdo em ferro dos alimentos (partes por milhão):
| |
1948 |
1963 |
| Espinafre |
801 |
31 |
| Feijão verde |
118 |
8 |
| Couve |
57 |
4 |
| Alface |
262 |
14 |
| Tomates |
969 |
5 |

|