COMUNICAÇÃO SOCIAL

Alguns artigos publicados em diversos órgãos de Comunicação Social escrita.


Alimentação

O PECADO DA CARNE

artigo publicado no Correio da Manhã - Domingo Magazine em 25 de Janeiro 2004 (Texto de Pedro Neves, fotos de Sérgio Lopes e Jorge Paula)

 
 

Depois da doença das ?vacas loucas?, dos frangos com nitrofuranos temos agora os casos de ?scrapie? nos ovinos e caprinos. Num mundo sem carne, o que deveríamos comer?


"As últimas notícias sobre os problemas com a carne são apenas a ponta do icebergue?, diz Francisco Varatojo. O director do Instituto Macrobiótico de Portugal (IMP) não esconde a preocupação face ao actual panorama alimentar.

Cita um artigo recente do jornal britânico ?The Guardian?, no qual são revelados dados assustadores sobre a qualidade dos lacticínios. ?A maioria das pessoas não tem a mínima ideia do que se passa na indústria alimentar, daquilo que acontece até um produto chegar ao prato?.

Crítico em relação à alimentação de grande parte da população, Varatojo tem razões para acreditar que vivemos num clima de medo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o primeiro problema do mundo ocidental é a obesidade, associada às mais variadas doenças, entre elas o cancro. ?Hoje ingerimos produtos animais em excesso, incluindo outros que nem sequer existiam, como as pizzas, os ?MacDonalds?, as coca-colas?. E se no plano pessoal a ?fast food? não o afecta, no geral sente receio quanto ao futuro. ?Se os animais continuarem a ser utilizados apenas para chegarem à mesa, vivendo em condições precárias e carregados de antibióticos, isto vai ser um descalabro em termos de saúde pública, ambiente e economia.?

A nutricionista Cláudia Russo concorda com a visão pouco simpática da evolução gastronómica. E exemplifica: ?Tenho pacientes que sofrem de excesso de gordura, que fazem uma alimentação à base de carne e que não respeitam a diversidade da roda alimentar. Os erros com a má alimentação são cada vez mais frequentes.?

Existem alternativas para quem come carne: na Biocoop, as peças vendidas são de animais que não tem químicos.

ALTERNATIVAS SAUDÁVEIS

Francisco Varatojo defende uma dieta saudável. A ?sua? macrobiótica, assente em cereais integrais, vegetais, leguminosas e alguns (poucos) produtos animais, pode ser a solução. Até porque, salienta, ?mudar para este tipo de alimentação é fácil, desde que haja motivação?.

A maior dificuldade será conseguir alterar os hábitos sociais, entre eles as idas aos restaurantes. Depois, há que vencer os mitos. ?O maior deles é dizer-se que a comida não tem paladar. Não é verdade. Se for bem preparada, o sabor é extraordinário, se for mal é horrível. Não existe meio termo.?

Carla Russo não chega ao ponto de recomendar uma dieta dessa natureza. Primeiro, porque para muita gente continua a ser difícil mudar de um sistema que tem a carne como base para outro em que ela quase não existe. Depois, porque a qualidade de vida pode melhorar sem recurso a algo ?tão radical?. A escolha de alimentos variados, a criação de uma rotina com três refeições diárias e hábitos como mastigar bem os alimentos e não comer antes de dormir, podem, segundo a especialista, ajudar a melhorar a qualidade de vida sem alterações profundas do quotidiano.

 

NO PAIS DOS PESTICIDAS

Ângelo Rocha, 42 anos. há 11 gerente da Biocoop. defende com unhas e dentes o consumo de produtos fertilizados sem recurso aos químicos. Por uma questão de bom senso, adianta, todas as pessoas deviam colocá-los em primeiro lugar na sua alimentação. ?A agricultura biológica será uma necessidade dentro de pouco tempo. A viragem é irreversível, consequência da cada vez maior desconfiança dos consumidores em relação aos produtos que lhes chegam à mesa.? No entender do dirigente da cooperativa, que além de fazer revenda abastece algumas lojas e restaurantes da Grande Lisboa, os recentes problemas com os vários tipos de carne são apenas o primeiro sinal dessa necessidade de mudança.

Num futuro próximo, a agricultura biológica irá mostrar os erros da agricultura química intensiva, na quail o paladar sai sempre a perder. ?Os alimentos que aqui vendemos são mais gostosos, têm aquele sabor do passado, que muitas vezes as pessoas recordam com nostalgia.? Entre os produtos em venda, Ângelo Rocha destaca a carne biológica, proveniente de animais alimentados de forma natural, e que, mesmo em termos veterinários são tratados com o mínimo recurso a fármacos. ?Isso torna-os muito mais saudáveis.?

Apesar do aumento da procura, os hábitos portugueses continuam a mudar de forma lenta e estão longe de países com 20 anos de cultura biológica.

Alemanha, Suécia, Dinamarca e França aderiram em força à ideia. Por cá, a resistência tem tido efeitos negativos. ?Somos o paraíso dos pesticidas. Neste aspecto, estamos na cauda da Europa. Até Marrocos já nos ultrapassou.?

 

PROTEÍNAS VEGETAIS

TOFU - Feito a partir da soja, é muitas vezes incluído como prato principal na ementa macrobiótica. Tem textura e paladar suaves, revelando-se rico em proteínas, sais minerais e vitaminas.

SEITAN - Possui uma quantidade elevada de proteínas e é também conhecido como ?carne vegetal?. Tem um sabor suave e uma textura esponjosa, que no início provoca estranheza. Concebido através do gérmen de trigo, faz parte dos mais diversos pratos vegetarianos e macrobióticos.

SOJA - Da família das leguminosas (feijão), pode ser consumida sob a forma de leite, queijo, molho ou tofu. Rica em proteínas e antioxidantes, previne as doenças do coração e do aparelho circulatório.

LEGUMINOSAS - Fonte de proteínas, fibras e minerais, integram todas as dietas vegetarianas. Oferecem um leque muito vasto de opções, que vão desde as lentilhas, às favas, ao feijão e ao grão, entre outros.

 


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