Michio Kushi esteve em Lisboa no mês de Outubro para
um ciclo de conferências. O líder da comunidade macrobiótica
internacional falou à Beijaflor Natural das ameaças da vida moderna, e
de como se pode alcançar a felicidade através deste regime alimentar.
Aos 77 anos continua a viajar pelo mundo a convite de várias
instituições para explicar como uma boa alimentação pode pacificar o
mundo.
Como
define a macrobiótica?
É um modo de vida de acordo com a natureza, em harmonia com o
ambiente e em harmonia com a paz.
Quando é que se começou a interessar pela macrobiótica?
Quando me comecei a interessar pela paz no mundo, enquanto era
estudante universitário. Fui-me tornando cada vez mais interessado para
que a humanidade se tornasse mais pacífica, harmoniosa e espiritual e
encontrei esta resposta através da alimentação macrobiótica. Considero
que as pessoas modernas e civilizadas não sabem o que devem comer e isso
leva à violência e ao aparecimento de novas doenças.
?Se os hábitos alimentares são contra a ordem natural, levarão à
extinção humana.?
Considera que a macrobiótica está suficientemente divulgada a
nível internacional?
Cada vez está mais, por exemplo nos Estados Unidos da América a
macrobiótica tem sido muito procurada e no Japão também.
Quais são os maiores erros alimentares da nossa sociedade?
Os alimentos têm sido dados a conhecer por indústrias alimentares
capitalistas que vão contra a ordem natural. Foi muito enfatizado o
consumo de animais no século XX, que não acontecia no passado quando as
pessoas comiam mais cereais e vegetais. Esta inversão da ordem natural
tem feito com que se perca a qualidade da alimentação. Se os hábitos
alimentares são contra a ordem natural, levarão à extinção humana.
Qual é a situação nos Estados Unidos da América?
O maior problema é a obesidade; em 2001 mais de metade dos estados da
América do norte contavam com 20% de população obesa. Há muitos regimes
alimentares recomendados para perder peso, mas que não se podem manter
por muito tempo, o que faz da macrobiótica o melhor regime.
Nota alguma evolução nos hábitos alimentares desde o surgimento da
macrobiótica?
Sim, a macrobiótica inova e promove o movimento natural da
alimentação e com cada vez mais adeptos da macrobiótica o mundo vai
mudar. As pessoas podem escolher a forma como comem, ao contrário do ar
que recebem. A sociedade americana está a mudar com a macrobiótica.
?As pessoas podem escolher a forma como comem, ao contrário do ar
que recebem.?
Como líder da comunidade macrobiótica internacional que argumentos
utilizaria para convencer uma pessoa a aderir a este regime alimentar?
Em primeiro lugar pela sua saúde, em segundo lugar pela paz, em
terceiro lugar para encontrar a paz espiritual da sociedade oriental.
A
macrobiótica tem sido prejudicada pelos lobbies das indústrias
alimentares?
Claro, muitas destas indústrias vão contra a ordem natural. Já é
tarde, pois estas indústrias estão por todo o lado e a natureza não está
preparada. Mas as pessoas estão sempre a mudar, e podem mudar para uma
alimentação saudável.
A que se devem os problemas com a segurança alimentar, como as
vacas loucas ou nitrofuranos, a que temos assistido na actualidade?
Quando o ser humano come espécies que também são espécies animais,
fica doente e alterado na maneira como pensa. É mais saudável comer o
que a terra nos dá, durante milhares de anos foi assim.
?A macrobiótica é provavelmente a dieta anti-cancro mais popular,
quem provou este estudo foi a comissão norte americana de estudo do
cancro."
Alguém que desde cedo inicie uma alimentação macrobiótica, é
possível que nunca sofra de problemas cardiovasculares ou de cancro?
A ordem natural do ser humano devia ser como a das árvores que vão
crescendo, tornando-se mais fortes e vivem por muitos anos. Muitas
pessoas que têm este regime alimentar já têm muita idade e continuam
activos. A macrobiótica é provavelmente a dieta anti-cancro mais
popular, quem provou este estudo foi uma comissão norte americana de
estudo do cancro.
Alguma vez recorreu a medicinas alternativas?
Não. As medicinas alternativas podem ser usadas como suplemento à
medicina convencional. Mas o mais seguro é a alimentação macrobiótica,
mas eu não considero a macrobiótica uma alternativa, pois ela é a ordem
natural dos humanos. Se aderirmos à macrobiótica não necessitamos das
alternativas, nem de mais nenhum suplemento.
Os efeitos da macrobiótica têm recebido reconhecimento por parte
de algum organismo oficial?
A Organização das Nações Unidas tem ajudado a sociedade macrobiótica,
inclusivamente já me ofereceu um prémio. O governo e o congresso dos
Estados Unidos América têm admirado o meu trabalho e ajudado na minha
causa, assim como o Museu Nacional da História Americana.
É importante a existência de conferências, como esta que acaba de
dar em Portugal, para uma crescente divulgação da sua causa?
Ao longo dos anos tenho viajado por todo o mundo para proferir
conferências e seminários sobre filosofia e desenvolvimento espiritual,
saúde e alimentação natural com a intenção de fazer chegar a minha causa
a famílias, médicos e governantes.
O que pensa do papel que o Instituto Macrobiótico de Portugal tem
desempenhado?
Pelo que eu tenho observado é admirável.
É importante a existência de cursos superiores sobre macrobiótica?
Claro, é muito importante. Logo no jardim de infância devem ser
ensinados os bons hábitos alimentares e a maneira de se relacionar e de
ajudar as pessoas.
Até que ponto a macrobiótica pode tornar as pessoas mais felizes?
Os alimentos através das vibrações transforma-se em energia, que faz
com que a mente e a qualidade do espírito melhore.
Que recomendações faz aos nossos leitores para uma melhor
qualidade de vida?
Devem respeitar mais o meio ambiente, devem comer mais cereais
integrais e vegetais, devem cuidar da sua saúde e deste modo podem
prevenir doenças como o cancro. Façam paz no mundo.
Percurso:
Michio Kushi nasceu no Japão em 1926, estudou Relações
internacionais na Universidade de Tóquio e doutorou-se em Direito
Internacional( na Universidade de Columbia, nos E.U.A. Foi
conselheiro alimentar durante a administração Clinton e actualmente
dirige as Fundações East West, Kushi e One Peaceful World. Em 1949
mudou-se para OS E.U.A. e actualmente vive em Brooklin,
Massachussets. Foi agraciado pela ONU e nomeado para o Prémio Nobel
da Paz em 2002 e publicou mais de 40 livros.

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