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Coração - 2ª Parte |
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No meu
último artigo sobre alimentação escrevi sobre a influência dos
alimentos e estilo de vida no Coração e Intestino Delgado - órgãos
classificados na Medicina Oriental como pertencendo à categoria do Fogo. É interessante notar que o coração é o único órgão do corpo que é igual e vastissimamente mencionado quer por cientistas quer por poetas ou romancistas. Para os cientistas e na realidade para todos nós, o coração é o órgão principal, aquele que trabalhando incessantemente bombeia os nossos 5 litros de sangue a todas as partes do corpo e nos mantém vivos. Para os poetas e artistas o coração é o local onde reside o amor, a parte do nosso corpo que rejubila quando nos sentimos amados ou que sentimos acabrunhado quando sofremos um qualquer desgosto. Em toda a parte do mundo, com muito poucas excepções (existem algumas tribos que dão ao fígado o papel que nós damos ao coração), o coração está ligado a sensações de amor, alegria, paixão e é o órgão através do qual comunicamos sensações calorosas e apaixonadas. Dum ponto de vista físico, e esta é a forma como a ciência
essencialmente lida com este órgão, o coração é um músculo com funções
específicas, e não tem nada a ver com sensações de amor ou paixão.
Pessoalmente, penso que existe uma relação entre as nossas funções
orgânicas e a nossa vivência emocional e, no caso concreto do coração, o
quanto e como amamos tem uma influência directa neste órgão. Na
realidade a saúde cardíaca beneficiaria imenso, se soubéssemos lidar
melhor com e aprender a pôr de lado emoções como ódio, azedume ou
inveja. E, se cultivássemos conscientemente emoções como o amor ou a
compaixão universais. Em medicina oriental, os atributos positivos do coração são também empatia, calma e uma mente pacífica. Se os órgãos Fogo funcionarem bem, temos a capacidade de vibrar no mesmo diapasão das outras pessoas, somos capazes de nos colocar na pele dos outros, uma capacidade muito prezada na psicoterapia moderna e à qual se dá o nome de empatia. Quando, pelo contrário, começam a surgir distúrbios nestes órgãos o comportamento tende a ser mais superficial, errático e hiperactivo, conduzindo num extremo a condutas maníacas e excessivamente apaixonadas. Nos distúrbios em Fogo a linguagem corporal (e verbal) fica muito mais exagerada, em particular com um movimento acentuado dos membros superiores e das mãos, que ao mexerem constantemente chamam a atenção dos interlocutores mas os mantêm à distância. A voz é mais alta, aguda e rápida e existe uma tendência para estar sempre a falar ou a dizer piadas, mesmo quando este comportamento não é apropriado à situação específica em que as pessoas se encontram. A cor da pele tende a ser mais avermelhada (a cor vermelha mostra problemas cardíacos), particularmente a ponta do nariz que costuma também ser mais inchada. O corpo tem mais expressão na zona peitoral e a postura tende a ser menos centrada e mais extravagante, regra geral com uma forma de vestir e uma imagem mais excêntrica ou mais original. Existe a tendência para conseguir funcionar melhor quando em presença de "público" e é-se estimulado a actuar essencialmente por pressão externa e não tanto por resolução interna. O paradoxo existente nesta fase mais dramática de energia, é que as pessoas com desequilíbrios em Fogo são extremamente animadas quando em presença de uma assistência e, quando sós, tendem a afundar-se em sentimentos de depressão e autocomiseração. Os meridianos de acupunctura do Coração e Intestino delgado circulam nos braços e dedo mínimo da mão, e com problemas cardíacos há frequentemente uma certa sensação de fraqueza nos braços e adormecimento do dedo mínimo. Os traços de comportamento referidos neste artigo são, regra geral e de acordo com a medicina oriental, o preâmbulo de problemas cardiovasculares mais ou menos sérios, e frequentemente pessoas com problemas cardíacos aparentam (segundo os nossos padrões de saúde) um ar jocoso, robusto e saudável. Fisiologicamente, o tipo de comportamento e linguagem corporal descritas podem ter a ver com o ritmo cardíaco propriamente dito, que quando estável nos dá um comportamento mais ritmado e calmo e que quando instável nos faz comportar de forma mais errática e imprevisível. Como conclusão, se deseja ter um bom coração aprenda a amar sem
reservas e cultive uma mente calma e serena. Mesmo que não acredite que
estas capacidades tenham alguma coisa a ver com a saúde cardíaca, estas
recomendações não o vão com certeza afectar e provavelmente melhorará
bastante a relação que tem consigo mesmo e com os outros.
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